O facto de as pessoas e os investidores estarem a habituar-se a nova realidade dos juros provocou alguns sinais de tréguas em novembro de 2023 e parece ser um primeiro sinal da consolidação do abrandamento já para este ano. Daí que deverá ter algum efeito de impacto positivo a nível da confiança do mercado mais visível durante os próximos meses.

No entanto não podemos descartar a influência da taxa dos juros, e os efeitos para a economia europeia da invasão da Ucrânia e da Guerra no médio-oriente, que estão a levar ao aumento dos preços dos materiais de construção e noutras frentes.

Adverte que, no que se refere às vendas de habitação, com recurso a crédito à habitação e para um segmento médio de clientes, é claramente visível uma retração na venda. E é de esperar que só em finais de 2024 ou em 2025, estas famílias tenham possibilidade de, novamente, ter acesso ao crédito. O impacto que a subida das taxas de juro teve na situação das famílias, tanto no pagamento das prestações do empréstimo à habitação, com aumentos muito significativos, como para quem pretendia comprar casa e não teve condições de acesso ao crédito, vai continuar a ser tema político e de necessidade de criação de medidas mais concertadas e orientadas para um maior mercado de arrendamento e segurança legal para ambas as partes tanto inquilino como senhorio.

Portanto estamos numa tempestade perfeita, com o poder de compra das famílias a descer e, simultaneamente, não se verificando a descida dos preços das casas.

Mas nota-se que o mercado está a antecipar uma descida das taxas de juro, que ao meu ver não me pareça que possa vir tão cedo, mesmo que alguns especialistas e políticos o assim desejam. Acho que estamos perante um ano 2024 muito atípico com muitas variantes, como o programa Simplex que não vai ter efeito imediato, mas que pode vir a estimular o mercado e ter influência na oferta a longo prazo nos próximos anos que aí advêm.

Mas vejo também uma janela de oportunidades como por haver falta de oferta crónica de habitação, um novo modelo de negócio estar a dar luz ao fim do horizonte. A transformação de edifícios de escritórios para residencial ´um novo fenómeno que deve ser apoiado por haver novas exigências e necessidades neste setor cujo muitos dos edifícios hoje já não comportam, e por aí se verificar também por parte dos promotores e investidores uma maior tendência de acreditar no residencial e mudar estes edifícios para esse fim. Por isso todos os edifícios com alguma fragilidade ou fraco desempenho podem ser convertidos em residencial começando pelas localizações em zonas secundárias ou periféricas em termos de escritórios, e que são áreas residenciais consolidadas dos centros urbanos. E com a simplificação do licenciamento urbanístico pode se agilizar de forma eficaz a mudança de utilização dos imóveis de comercial para residencial, oque ao meu ver pode ser uma oportunidade para o mercado imobiliário e de arrendamento que pode vir atrais muito capital de investimento nos próximos anos e cerrar uma ferida e lacuna na sociedade portuguesa.

Portanto 2024 pode vir a surpreender a todos nós, se nós aproveitaremos os sinais do tempo e decidir bem que nos governa para chegaremos aonde precisamos de chegar.


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Paulo Lopes is a multi-talent Portuguese citizen who made his Master of Economics in Switzerland and studied law at Lusófona in Lisbon - CEO of Casaiberia in Lisbon and Algarve.

Paulo Lopes